O que significa obesidade MÓRBIDA?

 

É a obesidade caracterizada pelo risco de desenvolver doenças  e que é conceituada, baseando-se no Índice de Massa Corporal, pelo IMC maior do que 40 kg/m2 ou pelo IMC maior do que 35 kg/m2 com doenças associadas.

 

Para quem se indica cirurgia?


 

Para quem tem IMC maior do que 40 ou maior do que 35 com doenças associadas e tem falha no tratamento clínico (efeito “sanfona” ou seja faz dieta – emagrece – engorda outra vez)

 

Quais são as cirurgias indicadas para quem tem obesidade mórbida?

 

A mais utilizada, dita “padrão-ouro”, é a cirurgia de Fobi e Capella (By Pass Gástrico, popularmente chamada de “Redução de Estômago”. Contudo, existem as cirurgias eminentemente restritivas (Banda Gástrica Ajustável)  e  as Disabsortivas (Cirurgia de Nicola Scopinaro e “Switch Duodenal”).

 

Como é realizada a “Redução do Estômago”?

 

A parte superior do estômago é separada do restante e grampeada. Isto faz com que o paciente seja forçado a comer menos e devagar. Além disto é feita uma nova união do “pequeno estômago” com a parte proximal do intestino delgado após o duodeno. Por isto, é dita uma cirurgia mista, ou seja, com componentes restritivo e disabsortivo.

 

E como se realiza a colocação da Banda Gástrica?

 

É colocado um anel de silicone em volta da parte superior do estômago, de tal maneira que se cria um pequeno compartimento gástrico”estrangulado por este anel, o que dificulta a passagem dos alimentos, sendo assim um procedimento eminentemente restritivo.

 

E como são os procedimentos disabsortivos?

 

São realizados através de retirada de parte do estômago em associação com um desvio intestinal “longo” de tal maneira que ocorra má absorção dos alimentos ingeridos. A cirurgia de Scopinaro e o “Switch Duodenal” são   especialmente indicados para pacientes superobesos.  

 

Para quem é indicado o balão intra-gástrico?

 

Este procedimento endoscópico, realizado a nível ambulatorial, é indicado para os pacientes  com obesidade leve ou para pacientes superobesos como prepararo para cirurgia da obesidade mórbida.

 

Sempre é necessária a avaliação pré-operatória?

 

Sem dúvida o segredo do sucesso da cirurgia da obesidade  baseia-se no adequado preparo pré-operatório por parte de uma equipe multidisciplinar associado ao comprometimento do paciente no pós-operatório.

 

Quais o critérios de “aprovação” para realizar a cirurgia?

 

Além de correta indicação cirúrgica, se baseiam nos chamados “5 C”. Convicção, Consciência, Comprometimento, Confiança e Controle. Ou seja: Convicção de que quer e necessita realizar a cirurgia. Consciência significa adequada informação pré-operatória. Comprometimento em seguir as orientações da equipe multidisciplinar. Confiança na equipe. Controle pós-operatório, ou seja, realizar as revisões pós cirurgia com a equipe.

 

Quanto tempo de internação hospitalar será necessário?

 

Em média, 5 (cinco) dias.

 

Quanto tempo dura a cirurgia?

 

Em média uma hora e meia a duas horas.

 

Qual a abordagem cirúrgica?

 

Qualquer das técnicas cirúrgicas pode ser feita por videolaparoscopia ou de forma convencional aberta.

 

Quais as diferenças entre a cirurgia videolaparoscópica e a cirurgia convencional aberta?

 

Em termos de riscos e resultados são semelhantes. Contudo a abordagem videolaparoscópica proporciona menos dor, menor tempo de internação hospitalar e retorno mais rápido a atividade física e ao trabalho.

 

Em quanto tempo o paciente pode retornar ao trabalho?

 

Em média, em 15 (quinze) dias.

 

Em quanto tempo pode o paciente operado retornar a atividade física?

 

Exercícios moderados (caminhadas no plano por exemplo) em vinte dias e atividade física específica (correr, andas de bicicleta, natação, p.ex.) em sessenta dias.

 

Quais são os principais riscos da cirurgia?

 

No que se refere ao ato cirúrgico em si, os maiores riscos estão ligados as suturas que são feitas (pode excepcionalmente ocorrer fístula (“abertura entre os pontos”) e os riscos de infecção (na medida em que toda cirurgia em que se mexe no estômago e/ou intestino é chamada de potencialmente contaminada). Estes riscos giram em torno de 2% dos casos.

 

A cirurgia é reversível?

 

Teoricamente sim. Contudo excepcionalmente ocorre esta situação, na medida em que  as pessoas que emagrecem dificilmente pensam em voltar a ganhar peso e especialmente pelo fato que a reversão cirúrgica é um procedimento de difícil execução.

 

Como se perde peso com a cirurgia de “Redução do Estômago?

 

A perda de peso se dá pela necessidade de que o paciente submetido a esta cirurgia necessita se reeducar do ponto de vista alimentar, ou seja, comer menos mesmo que com maior freqüência.

 

Após a cirurgia será necessária alguma dieta específica para sempre?

 

Não. Somente nos primeiros meses pós cirurgia, o paciente deverá cumprir rigorosamente a orientação da nutricionista. Após alguns meses, já readaptado, o próprio paciente já saberá o que e como pode comer, mastigando mais e melhor os alimentos, contudo, qualquer tipo de alimento.

 

Qual a quantidade de alimentos poderá ser ingerida após a cirurgia?

 

Após o reinício da ingesta sólida (após um mês de cirurgia), poderá ser ingerida uma média entre cem e duzentas gramas de alimento a cada refeição.

 

Qual a dieta pós cirurgia?

 

No primeiro mês, a base de líquidos e pastosos. Após um mês, solidificada.

 

Pode haver desnutrição no pós-operatório?

 

Somente ocorrerá se o paciente não seguir a orientação da equipe multidisciplinar. O paciente deverá fazer ingesta de alimentos que lhe proporcionem nutrição abrangente e nutritiva.

 

Quais remédios são indicados no pós-operatório?
 

 

Normalmente é realizada prescrição dos seguintes medicamentos: Complexo Vitamínico (Centrun) 1 cp.dia, por um ano. Inibidor da acidez gástrica (Omeprazol) 1cp.dia por seis meses. Antidepressivo (Fluoxetina) 1 cp.dia por três meses.

 

Como ocorre a perda de peso após a cirurgia?

 

Em média ocorre uma perda do peso absoluto em torno de 10% no primeiro mês; 6% no segundo mês e 3-4% ao mês do terceiro ao décimo segundo mês, o que sugere uma perda do peso absoluto em torno de 35% após um ano de cirurgia.

 

Quando a cirurgia é considerada “Sucesso”?

 

Quando o paciente perde ao menos 50% do excesso de peso em um ano após a cirurgia. Contudo a grande maioria dos pacientes perde em torno de 80% do excesso de peso neste período.

 

O paciente tem que controlar o peso sempre?

 

Sim. Afinal a cirurgia não é uma “mágica”. A cirurgia intermedia um processo de reeducação alimentar, contudo, o paciente operado deve se comprometer a controlar sua dieta ao longo do tempo evitando alimentos calóricos. Além disto, é fundamental atividade física no pós-operatório, pois a atividade física ajuda na perda de peso e na manutenção e ganho de massa muscular.

 

É possível “falha” na cirurgia?

 

Sim. Basta que o paciente não colabore e “sabote’ a cirurgia, fazendo uso de alimentos hipercalórico(tais como leite condensado e sorvetes) que passam facilmente pelo novo estômago e são facilmente absorvidos.

 

Quando ocorre a parada no emagrecimento?

 

Em torno de 12 a 18 meses pós cirurgia, tempo no qual o organismo se adaptou a perda do peso e o metabolismo orgânico se compatibiliza com a mudança anatômica efetuada pela cirurgia.

 

Sempre se faz necessário cirurgia plástica reparadora no pós operatório?

 

Nem sempre. Existe uma relação direta entre a quantidade de peso perdido e a atividade física realizada no período de perda de peso, com a necessidade de cirurgias plásticas reparadoras.

 

Após a cirurgia em quanto tempo o paciente deve consultar?

 

Recomendamos consultas com a equipe multidisciplinar uma vez por mês no primeiro ano pós cirurgia.

 
 
 
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